Setembro Amarelo: TdH Brasil fortalece ações de saúde mental, proteção e pertencimento

No Setembro Amarelo, Terre des Hommes Brasil destaca ações de cuidado desenvolvidas nos projetos Elos de Proteção e Saúde Ambiental

Para crianças e adolescentes, saber que existe alguém disposto a ouvir sem julgamentos pode fazer diferença em momentos de dificuldade e facilitar a busca por apoio. (FOTO: Arquivo TdH Brasil)

Falar sobre saúde mental é também falar sobre vínculos, proteção, pertencimento e condições dignas de vida. No Instituto  Terre des Hommes Brasil (TdH), essa compreensão está presente de forma transversal nas ações desenvolvidas pelos projetos e no cuidado com as equipes.

Durante o Setembro Amarelo, mês dedicado à conscientização sobre a prevenção do suicídio e à promoção da saúde mental, TdH Brasil amplia essa reflexão para além das situações de crise. A proposta é reconhecer que o bem-estar é construído diariamente e está relacionado às dimensões sociais, psicológicas, ambientais e econômicas.

Para Pedro Alisson, psicólogo do Projeto Elos de Proteção, cuidar da saúde mental significa criar espaços de escuta, troca de experiências e fortalecimento do sentimento de pertencimento.

“Saúde mental é e precisa ser vista como algo coletivo e complexo”, explica. Segundo ele, o cuidado vai além do acompanhamento terapêutico ou do enfrentamento de uma crise e também passa pela garantia de direitos e pela construção de condições dignas de vida.

“Saúde mental se faz quando as pessoas têm o que comer, quando não precisam andar com medo na rua. Saúde mental é ter políticas públicas efetivas e que alcancem um sujeito que é bio-psico-social-ambiental.”

Proteção também é cuidado

Essa perspectiva está diretamente relacionada ao trabalho desenvolvido pelo Elos de Proteção, que atua na prevenção e no enfrentamento das violências, na garantia de direitos e no fortalecimento do cuidado em rede.

Para Pedro, enfrentar situações como violência sexual, violência de gênero, racismo e bullying também significa promover saúde mental. Quando uma comunidade é capaz de cuidar e proteger seus integrantes, fortalece-se uma rede de apoio.

Durante o Setembro Amarelo, mês dedicado à conscientização sobre a prevenção do suicídio e à promoção da saúde mental, TdH Brasil amplia essa reflexão para além das situações de crise. (FOTO: Arquivo TdH Brasil)

A escuta tem papel fundamental nesse processo. Oferecer um espaço acolhedor e sem julgamentos pode facilitar a busca por ajuda e contribuir para interromper ciclos de sofrimento.

Meio ambiente e saúde mental caminham juntos

No projeto Saúde Ambiental, essa compreensão ganha outra dimensão: a relação entre as condições socioambientais e a saúde integral.

Para Vanessa Sousa, assessora técnica de Advocacy e Protagonismo Juvenil do projeto, meio ambiente, qualidade de vida e saúde mental são aspectos interdependentes. Situações como falta de saneamento e insegurança hídrica podem produzir sentimentos de insegurança, medo, estresse, abandono e impotência, afetando diretamente o bem-estar das pessoas.

Por isso, o projeto trabalha para fortalecer a autonomia das juventudes, incentivando adolescentes e jovens a reconhecerem problemas em seus territórios e participarem da construção de respostas coletivas.

Esse protagonismo pode ampliar a autoestima, fortalecer redes de apoio e desenvolver o sentimento de pertencimento. “Há a percepção de que é possível serem agentes de mudanças”, explica Vanessa, destacando que essa experiência também contribui para o fortalecimento da saúde mental.

Escuta e vínculos fortalecem o cuidado

Uma escuta atenta pode gerar acolhimento e abrir espaço para um diálogo mais profundo e horizontal, fortalecendo relações baseadas em respeito, inclusão, cuidado e solidariedade.

Para crianças e adolescentes, saber que existe alguém disposto a ouvir sem julgamentos pode fazer diferença em momentos de dificuldade e facilitar a busca por apoio.

Embora o Setembro Amarelo seja importante para ampliar a conversa sobre saúde mental, o cuidado não se restringe ao mês de setembro.

Vanessa destaca que a saúde mental é influenciada por diversos fatores que se relacionam entre si. Desigualdades socioambientais e violações de direitos fazem parte das experiências cotidianas e podem afetar o bem-estar continuamente.

Por isso, falar sobre saúde mental durante todo o ano também significa olhar para as condições em que as pessoas vivem, fortalecer políticas públicas, combater violações e ampliar redes de proteção.

Esse cuidado alcança também as equipes do TdH Brasil. No âmbito institucional, o trabalho em formato híbrido contribui, entre outros aspectos, para reduzir o estresse relacionado aos deslocamentos, ao trânsito e à insegurança urbana.

Ao reunir experiências de diferentes projetos e do cotidiano institucional, Terre des Hommes Brasil reforça uma compreensão de saúde mental que considera a pessoa em sua integralidade.