Coletivo da Reaver CE lidera intervenção na Escola Dona Júlia Alves, no Grande Bom Jardim

Projeto “Juventudes que Cuidam” reuniu adolescentes e jovens em ações que conectaram cultura, educação ambiental, saneamento e justiça ambiental.

Arte, cultura e educação ambiental também são formas de ocupar, cuidar e transformar os territórios. Quando esses elementos se encontram, abrem espaço para a juventude falar sobre o lugar onde vive, reconhecer suas potências e também reivindicar direitos. Foi a partir desse olhar que o Coletivo Bom Jardim em Ação, da Rede Reaver Ceará, desen volveu o projeto de pequena intervenção “Juventudes que Cuidam: Cultura, Saneamento e Justiça Ambiental no Bom Jardim”.

Realizada na Escola Estadual Dona Júlia Alves, a iniciativa reuniu mais de 300 estudantes em uma programação que contou com rodas de conversa, oficina de biojoias, batalhas de rap, oficina de reggae, intervenção de grafite e entrega de mudas. A proposta foi criar espaços de escuta e participação para que adolescentes e jovens pudessem refletir sobre os desafios do próprio território e pensar, coletivamente, em formas de transformar as injustiças socioambientais.

No Grande Bom Jardim, território periférico de Fortaleza, a ausência ou insuficiência de políticas públicas ainda atravessa o cotidiano da população. O descarte irregular de resíduos, a falta de saneamento básico e a escassez de áreas verdes revelam os traços do racismo ambiental. Nesse contexto, iniciativas construídas pelas próprias juventudes fortalecem a participação comunitária e mostram que cuidar do território também passa pela reivindicação políticas públicas, dignidade e melhores condições de vida.

Para Carla Nayra, integrante do Bom Jardim em Ação, a experiência mostrou a força da juventude quando ela é reconhecida como parte das decisões sobre o território. “Construímos um processo de escuta, aprendizado e criação coletiva. Ver os estudantes pesquisando, debatendo o saneamento, refletindo sobre racismo ambiental e, depois, decidindo como gostariam de transformar a própria escola foi muito potente.”, disse.

O grafite foi um dos momentos de maior envolvimento dos estudantes. Ao levar a arte para dentro da escola, a oficina também funcionou como uma ferramenta de educomunicação, permitindo que os jovens expressassem suas percepções e posicionamentos sobre o território de uma forma criativa e coletiva.

“Percebi que o maior impacto não foi apenas o grafite no muro ou as oficinas vividas, mas a ideia de que aqueles jovens passaram a olhar o território de outra forma: como um lugar que pode e deve ser cuidado por quem o vive.”, conclui Carla.