TdH Brasil lança Política de Equidade Étnico-Racial e reafirma compromisso de enfrentamento ao racismo

Terre des Hommes Brasil recebe placa da Secretaria da Igualdade Racial (SEIR) do Ceará, durante lançamento da sua Política de Equidade Étnico-Racial.

Partindo do entendimento de que raça, classe social, identidade de gênero, orientação sexual, território e condição biológica se entrecruzam e não podem ser analisados de forma isolada, e de que essas desigualdades estruturais seguem alimentando processos de exclusão e violência social, o Instituto Terre des Hommes Brasil (TdH Brasil) lançou publicamente, na terça-feira (3), no Auditório da CDL Fortaleza, sua Política de Equidade Étnico-Racial.

A iniciativa nasce do compromisso institucional com a promoção da justiça social e da equidade, afirmando a diversidade como valor fundamental. O documento se apresenta como um ato político coletivo, que reuniu parceiros, movimentos sociais e representantes da sociedade civil em torno da construção políticas sociais mais justas e igualitárias.

“A Política de Equidade Étnico-Racial representa um posicionamento político e ético do Terre des Hommes Brasil. Ela parte do reconhecimento de que o Brasil foi construído sobre bases coloniais e escravagistas, que ainda hoje sustentam desigualdades profundas e impactam diretamente as condições de vida, as oportunidades e até o direito de existir de populações historicamente vulnerabilizadas”, afirma o presidente do Terre des Hommes Brasil, Renato Pedrosa.

A política institucional estabelecer metas e ações a serem aplicadas no cotidiano da organização. O documento visa orientar práticas internas, relações de trabalho e ações externas. Seu objetivo é combater desigualdades, ampliar o acesso a direitos sociais e promover justiça social, especialmente para populações historicamente marginalizadas. A proposta também reforça o compromisso do Instituto em compartilhar e fortalecer essa política junto a movimentos sociais, organizações parceiras e redes com as quais a instituição dialoga e se articula.

A construção da política foi resultado de um processo coletivo interno,  junto com os colaboradores de Terre des Homme, no qual envolveu momentos formativos, escuta e a participação ativa da equipe de trabalho.

“A Política de Equidade Étnico-Racial é um marco para o Terre des Hommes Brasil, porque vem somar às pessoas racializadas e às comunidades periféricas onde atuamos. Nosso trabalho se dá, majoritariamente, em territórios marcados pelo racismo ambiental e institucional, e essa política nos ajuda a qualificar o atendimento a essas populações e, ao mesmo tempo, a olhar para dentro da própria instituição. É um passo importante para ampliar a diversidade interna, fortalecer a presença de povos e comunidades tradicionais e garantir uma atuação mais plural e coerente com os territórios”, afirma Stephany dos Santos, antropóloga do Terre des Hommes Brasil.

Na ocasião, a Secretaria da Igualdade Racial (SEIR) do Ceará, professora Zelma Madeira esteve prestigiando o evento e comentou sobre a iniciativa do Instituto. “Considero essa iniciativa muito importante, porque ela expressa um compromisso da sociedade em fomentar práticas antirracistas de forma inclusiva e plural. A política não está voltada apenas para os colaboradores, é algo maior, que dialoga para além da instituição. Percebo que foi construída através de um viés inclusivo e democrático, promovendo diálogo com parceiros. Sinto-me muito honrada pelo convite e por essa ambiência.”, disse.

Compuseram a mesa a Antropóloga de TdH Brasil, Stephany dos Santos, a Secretaria da Igualdade Racial (SEIR) do Ceará, professora Zelma Madeira, o Coordenador de Igualdade Racial de Fortaleza, Isaac Santos e Jonas de Jesus, educador social de TdH Brasil.